A Seleção Brasileira feminina de
futebol foi eliminada da Copa do Mundo de 2023 na primeira fase. Não conseguiu
sequer ir para as oitavas de final. Quando os homens, os marmanjos desse mesmo
esporte, fracassam na competição que acontece a cada quatro anos, o povo
brasileiro abre a caixa de ferramentas do vocabulário e enche de impropérios os
ouvidos dos meninos. Mercenário, perna de pau, amarelão, fracassado, jogador de
empresário... Falta amor à camisa, como era antigamente, nas copas de 70 e 82,
por exemplo. Os caras só querem saber de farra, cachaça, mulher, ou coisa
parecida. Passam meia hora se maquiando, colocando, gelzinho, passando secador
no cabelo para ficar “no grau”. Jogador nutella. Só tem mesmo tatuagem e
dancinha, é o que falam depois dos fracassos da geração Paquetá-Richarlison.
A atacante Kerolin concedeu
entrevista e disse que nós temos que aprender a perder. No caso delas, primeiro
se faz necessário aprender a ganhar. Se a luta é por igualdade de tudo, por que
não se pode criticar, apenas elogiar, mesmo que não haja motivos para tais
afagos e emoções? O futebol feminino evoluiu, mas ainda tem um longo caminho
pela frente, principalmente por aqui. Questões táticas, físicas, de habilidade.
Evitar comparações com os homens é primordial e fundamental. Elas também não
precisam de protecionismo ou blindagem seletiva. Se ninguém puder falar - para
não ser cancelado - que elas foram horríveis em todos os aspectos na copa, como poderão melhorar, se já são quase perfeitas?
Que mal faz ter uma comissão
técnica composta por homens? Muitos países têm. Ou mesmo um trabalho misto, com
presenças masculinas e femininas. De que adianta politizar o futebol e
polarizar o esporte? A Seleção Canarinha, pentacampeã mundial, por exemplo, já
não é mais a mesma há um bom tempo. Perdeu o respeito. O 7x1 foi o aviso final
ignorado. Sucumbimos diante das más administrações e escolhas suspeitas na
Confederação Brasileira de Futebol. Somos arrogantes. Achamos que continuamos a
ser o país do futebol. Só que não! Paramos no tempo, quase sempre nas quartas.
Já as meninas, tiveram suas
danças no tiktok silenciadas ainda mais cedo. Na fase de grupos. A suposta empáfia
do time masculino poderia (mas não é) ser justificada pelas cinco estrelas no
peito. Mas as garotas que, infelizmente nunca ganharam nada, deveriam se
espelhar nas pioneiras. Aquelas do tempo do amadorismo, na década de 1990, que
jogavam como se a bola fosse um prato de comida e as dificuldades eram
superadas com muito suor. Por que será que as seleções que dominam o futebol de
mulheres, não tem tradição no masculino, com exceção da Alemanha? A hegemonia
esmagadora é dos Estados Unidos, contando ainda com títulos da Noruega e Japão.
O que o Brasil precisa fazer para equiparar as forças das camisas e parar de
ser potência só na América do Sul?
Esqueçam as comparações, dispensem
os pontos facultativos, digam não à forçação de barra. Nem quero citar este
neologismo chamado de lacração. Voltem à estaca zero, à fase de testes, aos
jogos no campo do Ibirapuera. Ajam como se fossem a seleção de Tonga. Esqueçam o
favoritismo, vocês não são. Já não temos Marta, Cristiane, Pretinha, Formiga, Katia Cilene ou
Sissi. Retornem às origens, não se cobrem tanto, apenas façam o que sabem, se
de fato souberem o que fazer.

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