Entretenimento,
esporte, informação, notícias, atualidades, imediatismo, cultura,
política, economia, humor, jornalismo, utilidade pública, companheirismo. São,
ou eram, alguns sinônimos do rádio. Seus defensores ardorosos, agora com quase
status de saudosistas, sempre mantiveram em seu discurso a capacidade de
resiliência do velho veículo, em meio a tantas novidades ameaçadoras, que
acabaram por se tornar parceiras ou complementos do seu sucesso imponente e
impoluto.
Só que, não mais. Agora tudo mudou. O rádio está sendo engolido, tragado pelas mídias sociais. São bilhões de
seguidores e usuários distraídos e no piloto automático. Aquilo lá toma quase todo o nosso
tempo. No celular tenho acesso à informação, com uma enxurrada de fake
news, às vezes, mas é só saber procurar. Músicas, vídeos, futilidades e temas
importantes. Quem manda é o freguês. Quando vou ter tempo para ouvir rádio? Será
mesmo que eu ainda preciso fazer isso? No carro. Mas e o pen drive com um milhão de músicas? A saída para enfrentar a instantaneidade e as facilidades do tempo real é a inovação e adaptação.
Receitas prontas
de décadas passadas, nem pensar. Frases feitas, mensagens enlatadas de otimismo, já era. Seria o mesmo que bancar a insistência pelos programas de
auditório na TV, seguindo os moldes do que era visto na década de 1990, no auge
do conflito Gugu X Faustão. Por que eu teria de ouvir duas horas de um noticiário se em cinco minutos eu já sei o que aconteceu no mundo, dando uma rápida passada em um ou dois sites? E se na rádio
às vezes o cara está lendo os mesmos portais e as matérias do soldado Ryan impresso?
Qual será o diferencial?
É
assustador e profético o fim de algumas redes sociais como o Orkut. Se
até o novo se mantiver engessado, não permanece, imagina os pré-históricos?
O ouvinte que ainda resta quer algo de diferente. Precisa estar mais perto do
locutor, encurtar as distâncias. Quer fazer parte do show. Sim, ele ainda pede
música, pela vaidade de dividir o seu gosto com os outros. Manda beijo pra mãe, pro pai e pra você. Quer ganhar brindes,
ser contemplado em promoções. Lembrando que a imensa maioria ouve calado. Não interage. O fato é que o jogo virou. Até os cantores já não valorizam mais tanto o
parceiro impreterível de outrora. Está tudo nas plataformas digitais e mídias
removíveis. Vivemos na geração facilidade. Ninguém quer mais ter nem o trabalho de clicar em link. "Se quiser que eu leia, faça o print e poste na timeline".
É preciso
fazer algo diferente "na ráida". Produzir conteúdo, se tornar agradável aos ouvidos, para
tentar se incorporar a esse novo mundo. Caso contrário, tudo será resumido a
lembranças de um passado inesquecível, assim como o Orkut, que deixou se perder
no tempo os álbuns, comunidades e cutucadas. A Mariposa Apaixonada de Guadalupe
continua a mandar um abraço para o seu noivo Arlindo Orlando. Não se sabe até
quando."O veículo estudado a
partir das ondas hertzianas, dos aparelhos de transister, construído por
Landell de Moura e Roquette Pinto, no qual o som é prioridade, já é passado. O
rádio sempre vai existir – até que provem o contrário – mas com outro formato.
Já estamos sob o impacto das mudanças proporcionadas pela internet"(Milton Jung).
@basilionetoo
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