
Saí de casa pouco depois das oito da manhã, num sábado ensolarado de janeiro. Minha pretensão inicial era fazer um percurso inédito, diferente. Não há nada mais entediante do que dar voltas em um mesmo local todos os dias. O corpo precisa de desafios e o visual com paisagens novas ajuda a distrair.
Decidi ir até a vizinha cidade de Queimadas. Não sabia nem qual a
distância exata daqui até lá. Já havia tentado uma vez há uns cinco anos, mas
não obtive sucesso. Nas primeiras passadas, no Parque do Povo,
percebi que não daria e nem valia a pena forçar. Tem nada não. Bora caminhando
mesmo até onde der.
Depois que a engrenagem foi esquentando, dei os primeiros trotes já
perto do Distrito dos Mecânicos que se prolongou até após o Campo Santo.
Foi quando avistei a "cidade" Aluízio Campos e a placa alertando
que restavam 10 km.
Senti que dava e não hesitei. No meio do caminho tinha urubus,
cachorro morto atropelado, andarilho, açude seco, milho assado, ciclistas,
fadiga e as serras mostrando que podem enganar a vista e prorrogar a cruzada da linha imaginária.
Um motoqueiro me aborda no acostamento para saber se tinha blitz
por onde passei e, naquele instante, eu só sonhava com água de coco e um oásis ao lado da Pedra do
Touro.
Depois de alternar entre corrida e caminhada, nos últimos metros,
só me restava a segunda opção. Duas horas e alguns minutos se passaram e
finalmente a missão estava cumprida!
Reidrato-me e os eletrólitos devolvem um pouco da energia tirada
pelo desgaste. Com o sol já pronto para vitimar os descuidados, pago R$
3,00 e, de ônibus, tudo parece loucura. Até a próxima. Todo mundo
espera alguma coisa diferente de uma manhã de sábado.



















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