Percorro a rua estreita,
meio assustado. Quando vejo muita gente
reunida num espaço pequeno, minha mente precavida imagina logo um possível
tumulto e salve-se quem for capaz. Porém, tudo tranquilo na chegada.
Credencial, portão aberto, funcionário sisudo, como sempre. Escadas estreitas,
risco de cabeçada na parede. Equipamento testado, piso no ambiente de trabalho
dominical.
Era dia de festa. Quantos
convidados ausentes o ano inteiro, mas que não poderiam deixar de fazer parte
daquele instante. Sobrava boa vontade ,faltava conforto e comodidade na
estrutura do palco principal. A recomendação dada era a de se posicionar longe
da plataforma central. Nestas horas, todos querem ostentar status de comandante.
Foto tirada, pipoca
oferecida, vários veículos e um idiota , com equipamento no ombro, tentava
mostrar uma superioridade surreal e imaginária. Guerra de microfones e uma
competição, que chega a ultrapassar os limites do ridículo. Vale tudo. Tensão,
olhos esbugalhados, cara de choro, euforia, pelos do braço arrepiados,
êxtase. Revejo amigos, cumprimento,
converso, descontraio.
A proximidade incomoda.
Interação mal vinda e insultos em abundância. Pressão alta, batimentos
acelerados, olhos lacrimejando, tensão, frustração, retrospectiva mental,
justificativas . Trabalho concluído. Polícia a postos. Outro microfone
inoportuno atrasa os planos do tenente. Portão aberto. Novamente a rua estreita.
Festa, empolgação alegria, alívio, confraternização, esperança, desabafo, abraços e
cerveja. Treze 1x0 Santa Cruz.
@basilioneto98
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